domingo, 30 de abril de 2017

Teixeira Duarte parece querer oferecer uma oportunidade de entrada

Depois de ontem ter reiterado o meu optimismo relativamente ao potencial da Mota Engil, analiso agora o percurso da Teixeira Duarte. Olhando para ambas em perspectiva, não podemos deixar de notar que o comportamento tem sido bastante semelhante. Ambas vêem de um longo ciclo descendente, e depois de construírem uma base estável, parecem agora querer reagir em alta. E apesar de em termos fundamentais eu não ser um grande apreciador da Teixeira Duarte, factualmente falando está igualmente a dar sinais de inversão.

Neste caso, a sinalização de inversão deu-se com a passagem nos 23,4 cêntimos. Após a estagnação ocorrida entre Maio de 2016 e Março deste ano, teve dois movimentos de ruptura que poderão indiciar o início de um ciclo ascendente mais sustentável. Reitero que não aprecio esta empresa mas, como se diz na gíria de bolsa, quando a maré sobe até o lixo flutua. E eu não me faço esquisito ao ponto de desperdiçar oportunidades quando elas surgem. Apesar da minha preferência e exposição à Mota Engil, pondero uma entrada via CFDCFD CFD na Teixeira Duarte. Com pouco capital poderei ter uma exposição interessante à sua flutuação, aproveitando eventualmente algum movimento de ruptura mais poderoso.

Estrategicamente, há que manter a vigilância às retracções, porque também estas poderão ser fortes. Espero neste momento algo semelhante ao ocorrido em Março, ou seja, uma correcção seguida de consolidação, seguida depois de um movimento de ruptura. A seu favor a Teixeira Duarte tem a previsibilidade de movimento, que pode neste caso ajudar numa entrada mais segura. Uma estratégia de entrada assente no triple screen poderá aqui servir de forma adequada aos meus interesses, deixando uma ordem pendente ser actualizada enquanto a movimentação descendente continuar. Com o seu término abrir-se-ia a posição, na expectativa do tal movimento de ruptura anteriormente mencionado.

Do ponto de vista defensivo, atenção à colocação de stop. Para já, caso opte por entrar baseado no triple screen, seguirei a regra da estratégia para metade da posição e deixarei o stop da outra metade no suporte anterior. Vejamos o que acontece.



sábado, 29 de abril de 2017

Mota Engil - Como agir perante a referência dos 2,18€?

No seguimento da vitória do sector da construção na mais recente sondagem, começo por deixar uma análise à minha favorita neste sector: a Mota Engil. Como é sabido, há já alguns meses que estou bastante optimista no título, e o movimento recente só reforça este sentimento. A incómoda resistência dos 1,82€, que eu tinha anteriormente indicado como sendo o principal alvo a abater, foi ultrapassada de forma clara e inequívoca. A reacção ascendente não se fez esperar, e vamos já com um ganho de 30% acima desse marco. Quem quis testar uma entrada teve aí uma bela oportunidade de o fazer, com uma excelente relação risco/benefício (já que a zona de stop estava pouco mais abaixo). 

Olhando para o momento actual, a referência de negociação situa-se nos 2,18€. Ora, o que significa isso em termos práticos para quem está ou quer estar dentro? 
Será esse suporte forte o suficiente para evitar uma correcção mais acentuada? Não. 
Significará o compromisso desse ponto uma inversão na tendência ascendente de médio (e quiçá de longo) prazo? Também não.  

Para quem está dentro, o referido ponto poderá ser eventualmente utilizado para redução de exposição caso seja quebrado em baixa, mas não deve na minha opinião ditar o encerramento total da posição. Para quem está fora, uma aproximação ao mesmo poderá representar uma oportunidade de entrada parcial, mas dada a sua falta de solidez eu não o utilizaria para abertura total da posição pretendida. Preferiria utilizá-lo para dar um início parcial à exposição (até por motivos de conforto psicológico, para não sentir a posição escapar-se caso a subida continue), e esperar depois por um refúgio mais seguro a fim de a aumentar. A menor exposição permitiria também utilizar uma referência de stop mais dilatada, considerando já a possibilidade mais conservadora de uma quebra potencial desta zona e uma retracção que poderia facilmente chegar aos 1,97€. 

Seja como for, parece-me nesta fase indiscutível que o título está fortíssimo e com muito boas possibilidades de manter este bull mode. 


quarta-feira, 19 de abril de 2017

As referências técnicas da Jerónimo Martins antes de uma provável correcção

Termino a cobertura ao sector do retalho com uma análise à Jerónimo Martins. Após mais um toque em máximos, importa agora antecipar o que o título poderá fazer no médio prazo. Antes de mais, é fundamental salientar o excelente momento que esta atravessa, representado pelos movimentos ascendentes de médio prazo compostos por mínimos relativos consecutivamente superiores aos anteriores. E apesar de em finais do ano passado termos assistido a uma hesitação nesse padrão, desde o último ano que os movimentos de drawdown têm sido pouco importantes. 
 Ora, quais são as zonas de preservação fundamental? A primeira, importante sobretudo para o curto prazo, situa-se nos 15,1€. A sua quebra poderá significar uma correcção mais intensa do que seria expectável, mas sem dramas. A segunda, relevante para o médio prazo, situa-se nos 14,375€.

No gráfico horário, tudo aponta para a possibilidade de uma correcção. Forma-se o que parece ser um padrão topo de inversão, que a ser efectivado tem uma projecção potencial nos 15,90€. Esta activação acontecerá se os 16,38€ quebrarem em baixa. Analisando friamente, diria que existe uma boa probabilidade de este cenário se concretizar. Ainda assim, não há qualquer incompatibilidade com os cenários acima descritos em termos de manutenção da tendência. Significa isso que até podemos ter uma correcção, mas que tal em princípio não significará a existência de uma inversão de longo prazo. E se a tendência não se inverter, teremos oportunidades de reforço! (Quase) tão simples quanto isso!

P.S.: Uma das novidades que estou a preparar para breve, à medida que a minha disponibilidade temporal se dilata, passará por voltar a organizar eventos formativos. Pedia, nesse sentido, o favor de responderem a três perguntas (demora cerca de 20 segundos). Para o fazerem, por favor sigam este link.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Retalho - Apesar de esperar pressão descendente, mantenho a confiança na Sonae

Conforme tenho vindo a manifestar há largos meses, estou comprado e confiante na Sonae. O título activou de forma muito clara um padrão de inversão, e tem mantido desde então uma irrepreensível linearidade técnica. Após uma correcção mais digna desse nome em finais de Janeiro, tem seguido desde então em trajectória ascendente e não parece para já querer abrandar. Abrandará certamente mais cedo ou mais tarde (mal será se tal não acontecer de uma forma controlada e espontânea), mas desde que a sequência de mínimos relativos superiores ao anterior no gráfico diário não seja violada, não há que temer uma inversão de tendência. Para já, o ponto de referência a manter sob observação está nos 78,3 cêntimos. Um pouco abaixo do ponto actual (14,5%), é verdade, mas em position trading é importante manter stops realistas sob pena de sermos expulsos da posição numa qualquer correcção minor! Correcção essa que pode estar já a desenhar-se (ou não) neste momento.

Olhando para o gráfico horário, essa possibilidade fica em aberto por estar a formar-se neste timeframe um potencial padrão de inversão de curto prazo. Nada que em princípio possa gerar uma inversão de tendência, mas certamente poderá pressionar um pouco a cotação caso seja activado. A zona chave é, neste caso, a marca dos 90 cêntimos. A sua continuidade concretizaria um padrão de consolidação, a sua quebra em baixa representará provavelmente uma correcção de curto prazo. Para quem está dentro, poderá sempre optar por fazer scaling out da posição em caso de quebra, para depois tentar reacumular no final do movimento. Um fecho definitivo só se justificará, na minha opinião, caso o suporte dos 78,3 cêntimos seja quebrado em baixa. Até prova em contrário, todas as correcções minor são oportunidades de reforço.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

Obrigações Benfica 4% - Vale a pena?

Como já vem a ser hábito, a SAD do Benfica emitiu novo empréstimo obrigacionista, desta vez com uma taxa de juro de 4%. Desde que eu tenho memória, será a mais baixa que já foi emitida, reflectindo também a pressão a que as taxas de juro centrais têm vindo a ser sujeitas. Não me vou alongar muito em detalhes, pois o post que fiz há um ano sobre a emissão anterior continua a ser bastante válido. Reitero de forma linear a opinião que tinha na altura. 

De uma forma geral, importa salientar dois pontos. O primeiro é relativo à taxa líquida. Dependendo de uma série de factores, entre os quais se já têm ou não outras obrigações em carteira, as comissões nestes produtos são geralmente muito pouco atractivas. Sobretudo em bancos comerciais. A taxa bruta de 4% significará por isso uma taxa liquida que rondará os 2%, o que lhe tira grande parte do encanto. Segundo, obrigações não são depósitos a prazo. O risco de insolvência de um clube de futebol não é desprezível, por muito bem que nós conheçamos o sistema em que estes se encaixam e a realidade dos últimos anos. Ninguém, mas mesmo ninguém, diria há 10 anos atrás que o BES poderia falir. E hoje até já há quem diga que alguns clubes de futebol poderão ter de reestruturar a sua dívida. Não digo que o Benfica seja o que tem maiores probabilidades de cair em tal problema, mas também ninguém de juízo poderá dizer que esteja isento de o estar. 

Como já referi inúmeras vezes, a minha estratégia para as obrigações de clubes portugueses assenta na diversificação pelos 3 grandes. Tanto Porto como Sporting têm taxas mais atractivas (rondam actualmente os 5% no mercado secundário em ambos os casos), ilustrando também a percepção de risco superior por parte do mercado.  A vantagem desta estratégia passa pela hipótese de, em princípio, os dois remanescentes serem financeiramente beneficiados pela falência hipotética de um terceiro. 

 Seja como for, conforme (não) tenho feito actualmente, também desta vez não irei ao rateio comprar obrigações. Mesmo que necessitasse de constituir posição, desta vez não faz mesmo sentido algum. A emissão de 2019 está a oferecer um cupão teórico de 4,2%, pelo que compensaria ir acumulando posição em mercado (excepção feita a aumentos de posição muito volumosos e a quem tem a ida ao rateio isenta de comissão). 

Concluindo, na minha opinião é sempre interessante manter algumas obrigações
em carteira, mas não entrem em desvarios. Vale o risco, mas um risco pequeno. Não colocaria mais de 30% da minha carteira em obrigações de clubes de futebol.